domingo, 25 de outubro de 2009

Pó & Chuva, Barro & Distância


"Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó." (Eclesiastes 3:20)




Pensando no texto bíblico, cientificamente, preciso discordar da afirmação. Nesta vida, pelo menos, não fui feito de pó mas, sim, de duas células. Por enquanto sou um amontoado de células e uma alma, ungidas com um sopro de Vida. Entretanto no futuro, sim, então concordo: serei um amontoado de pó e memórias que deixarei aos quais fiz alguma diferença em suas vidas. Nada mais.


Por enquanto, vejo-me mais como uma mistura de pó e chuva, barro e distância.
Por que?
Muito simples, o sopro de Vida - para mim - nada mais é do que pó e chuva, barro e distância misturados na mais perfeita harmonia.

O pó acumulamos em nós mesmos durante o tempo que passamos aqui. É o resultado das "experiências" mal resolvidas ainda postas sobre nossos ombros por nós mesmos... num quase infinito e lento caminhar pesaroso.




A chuva, o bálsamo capaz de purificar nossa impureza, além de regar a terra mostra que tudo passa, renasce ou brota. E, no fim, estamos "limpos" novamente.



- "Não pode chover o tempo todo." - segredou o personagem Eric Draven em O Corvo...

Então conhecemos a fé. As vezes fraquejamos, outras vezes somos fortes. Ao fim de tudo, somos o eqüilíbrio entre esses dois extremos. Mas ainda assim procuramos por mais fé...
E assim seguimos, novamente, para outra jornada nas estradas empoeiradas do nosso caminho.



E no recomeço, encharcados, somos refeitos em amálgama de pó e chuva. Sentimo-nos pesados como se vários quilos de barro aparecessem "misteriosamente" em nossas pernas e costas...
Continuamos...
Deixamos mais passos para trás.
E, dessa forma, produz-se a distância...
Distância daquele que éramos e daquele que somos agora.
Distância daqueles que amamos e já se foram por outros caminhos.


"Se as pessoas que amamos são tiradas de nós, o meio de mantê-las vivas é nunca deixar de amá-las. Prédios queimam, pessoas morrem. Mas o verdadeiro amor é para sempre". (O Corvo)


Hoje, pergunto-me se devo seguir a mesma estrada sonhando e aguardando outro horizonte ou tomo outra direção. Estaciono, no meio da minha própria estrada e aguardo o Tempo tomar sua decisão.
Não ando, apenas espero.

As vezes, esperar com paciência e perseverança é melhor que agir no ímpeto e seguir por caminhos não tão bons. Já cometi esse erro e aprendi: a razão deve sobrepor-se ao arrebatamento.



Sigo e aceito minha mistura de pó e chuva, barro e distância sem perder a esperança de ainda ver um horizonte onde eu possa, finalmente, ser feliz e descansar meu corpo.
E se bem sei, esse descanso será justo e necessário até o começar da próxima jornada na qual todos tomaremos parte um dia...



Mas para esta eu não estou pronto ainda.
Eu serei feliz primeiro.

"Eu sei que nasci
E sei que vou morrer
O entre isso é meu"
(I Am Mine - Pearl Jam)

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