sábado, 29 de novembro de 2008

... e eu poderia achar um caminho?

A caminhada que compõe a jornada daqueles que transitam por esse ínfimo átomo do Universo chamado Terra acaba por machucar a cada um à sua maneira: fere os pés de quem caminha... Cansa as asas de quem voa... Abre o peito de quem se arrasta... Enterra aos poucos, por fim, quem vive... ou já viveu.

O que se leva na "bagagem" não pode ser físico, concreto, palpável. Afinal, caixão não tem gavetas... Leva-se apenas o que o Tempo deixa: as marcas.

Olhando, cada vez mais para esse rosto, vejo o que o Tempo faz, o que fez e o que fará comigo também.
Este, é Johnny Cash (1932 - 2003). Cash teve uma infância difícil. Carregou até a sua morte a culpa por ir pescar no dia da morte do irmão ainda jovem... A história toda pode ser vista no filme dedicado a ele "Walk the Line" (Johnny & June).

Cash exerceu (e ainda exerce) em mim uma fascinação ímpar: como um homem marcado com a dor, culpa, sofrimento, tristezas... pode ser feliz? Obviamente o filme não mostra tudo isso mas, apenas, uma parte.
Em 2002, fez um remake de Hurt, do Nine Inch Nails, onde mostra nitidamente a passagem por aqui. Aos meus olhos, Hurt, não é apenas "mais" uma música cantada por ele mas, sim, "A" música que representa sua vida. O clipe no Youtube, o seu último, é a prova.

Mas... o que tudo isso tem a ver com a viagem que faço para dentro de mim mesmo? Muito.
Eu poderia achar um caminho? Que tempo eu tenho? Que atitude me faria trilhar uma estrada diferente?
Há momentos em que não me preocupo com as "pedras" do caminho, apenas em encontrar um óculos para encarar as núvens à minha frente... Mas, até quando? Até quando eu irei parar de machucar a mim mesmo e aos outros? Até quando esse mundo será assim, um agredindo o outro e a si mesmo? Quando? Essa é a pergunta que me agride por agora... É desse mundo vazio que estou cansado... É desse mundo que prefere noticiar a morte em um jornal a mostrar a foto de um sorriso...

Por ora, pensar nisso é provocar minha própria derrota. Está chegando alguém que precisa de mim. O que nos resta se perdermos a esperança de um mundo melhor?
Do início ao fim, a única coisa que temos é o Tempo que nos é dado. Nada mais é nosso, nem o corpo. Palavras são copiadas; atitudes, imitadas; gestos, repetidos... Uma vida que nem mesmo é nossa, somente fazemos "uso"...

Hurt
Machuquei


Machuquei a mim mesmo hoje
Pra ver se eu ainda sinto
Eu focalizo a dor
É a única coisa real
A agulha abre um buraco
A velha picada familiar
Tento matá-la de todos os jeitos
Mas eu me lembro de tudo

O que eu me tornei?
Meu doce amigo
Todos que eu conheço vão embora
No final

E você poderia ter tudo isso
Meu império de sujeira
Eu vou deixar você pra baixo
Eu vou fazer você sofrer

Eu uso essa coroa de espinhos
Sentando no meu trono de mentiras
Cheio de pensamentos quebrados
Que eu não posso consertar
Debaixo das manchas do tempo
Os sentimentos desaparecem
Voce é outro alguém
Eu ainda estou bem aqui

O que eu me tornei?
Meu doce amigo
Todos que eu conheço vão embora
No final

E você poderia ter tudo isso
Meu império de sujeira
Eu vou deixar você pra baixo
Eu vou fazer você sofrer

Se eu pudesse começar de novo
A milhões de milhas daqui
Eu poderia me encontrar
Eu poderia achar um caminho



Ainda não chegou a minha hora de fechar o piano... e não será tão cedo... tão cedo.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Mais uma resposta...

Pergunta: Como me preparar para minhas mudanças?
Resposta: Série Heroes, III Temporada, Episódio 10:

“Está chegando.
Há um momento para cada guerra, onde tudo se muda.
Um momento quando o caminho se une.
Alianças em linhas de batalha mudam-se de lado, e as normas de compromisso são reescritas.
Momentos como esses podem mudar a natureza da batalha e mudam as coisas para um dos lados.
Então, fazemos o que podemos, para entendê-los.
Para estarmos prontos às mudanças, fortificamos os nossos corações, contemos os nossos medos, juntamos as nossas forças, e procuramos por sinais nas estrelas.
Mas neste momento, essas mudanças de jogo... permanecem um mistério.
O destino da mão invisível, que move as peças no tabuleiro de xadrez.
Não importa o quanto nos preparamos para elas, o quanto resistimos às mudanças, antecipamos o momento, lutamos pelo resultado inevitável.
No final, nunca estamos realmente preparados, quando isso se defronta.”

Sem mais dúvidas... por hoje.

domingo, 23 de novembro de 2008

Nunca é Tarde Demais


Steppenwolf - It's Never Too Late
Nunca é Tarde Demais

Seus olhos estão molhados, você grita e chora
Como se estivesse possuído
Lá de dentro vêm uma grande pressão
Toda a angústia que você escondeu
Na parede está pendurado seu diploma
Seus pais desejaram tanto pra você
E mesmo treinado para deixar sua marca
Você ainda não sabe direito o que fazer

Nunca é tarde demais para começar tudo de novo
Para amar as pessoas que você feriu
E ajudá-los a aprender seu nome
Oh, não, não é tarde demais
Nunca é tarde demais para começar tudo de novo

Bem, é muito tarde para recomeçar
Para tentar achar a felicidade
Então, na sua mulher e filhos
Você desconta seu rancor
Você perde um pouco mais o controle, a cada dia
Você sente a solidão e a culpa
E não consegue encontrar o Deus da sua infância
Para te salvar do seu vazio

Nunca é tarde demais para começar tudo de novo
Para amar as pessoas que você feriu
E ajudá-los a aprender seu nome
Oh, não, não é tarde demais
Nunca é tarde demais para começar tudo de novo

Você diz que tem apenas uma vida para viver
E que quando morrer, acabou
Sua família vai até seu túmulo
E com lagrimas nos olhos
Eles te dizem que você fez algo errado
"Você nos deixou sozinhos"

E quem vai dizer algo, quando tudo acabar
E você finalmente se foi, e não vai mais voltar
Você pode achar um meio para mudar hoje
Não precisa esperar até lá


O "ontem" já não existe mais. O "amanhã" é uma probabilidade. O único Tempo cronológico que temos é o "agora".
Ainda é preciso dizer mais alguma coisa?

sábado, 15 de novembro de 2008

Sobre os caminhos...



"A criança nasce para a inocência.
A criança é atraída para o bem.
Por que então tantos entre nós dão tão terrivelmente errado?
O que faz alguns trilharem o caminho da escuridão?
Enquanto outros escolhem a luz.
É a vontade?
É o destino?
Podemos esperar algum dia entender a força que forma a alma?
Para lutar contra o mal, é preciso conhecer o mal.
É preciso voltar no tempo e encontrar aquela encruzilhada no caminho.
Aonde os heróis vão para um lado e os vilões para o outro."
(Heroes III Temporada; Ep.8)


Antes que o meu filho (ou minha filha) nasça eu preciso, rapidamente, voltar no Tempo para saber qual caminho eu tomei...

Julgamentos

Fonte: http://www.starlarvae.org

Muito antes de eu encerrar minha viagem, muito antes de eu cerrar meus pulmões ao oxigênio eu serei julgado pelas coisas que fiz e também pelas quais deixei de fazer.
A pergunta que ressoa inquietante dentro de mim é: quem será o Juíz?
A resposta vem-me como uma trombeta soando do profundo poço que há aqui dentro: o Juíz será tua Consciência...

Então, debatendo-me entre outras tantas dúvidas, uma não se cala: quando será meu último julgamento?
(...apenas sinto dor...)

Quem disse que a Vida é apenas o somatório dos "bons momentos" se engana. A Vida, nos dá rosas mas a um preço espinhoso. Ela cobra tudo o que deixamos para trás. Cobra todas as oportunidades perdidas seja de tempo, de atitude, de decisão...
Mais cedo ou mais tarde o Julgamento da Consciência virá e com ele a pena ou a absolvição.

A resposta para minha pergunta soa como bálsamo mas, tenho dúvidas, até quando ela será a benção para se tornar o veneno?

Pergunto-me: "Quando será meu último julgamento?"
Resposta: Quando escolher levar a vida mais leve, como menos peso e culpa sobre meus ombros. Mas, este, será apenas o último julgamento da minha Consciência. Depois, ainda passarei por outro... bem mais severo com um Juiz não tão misericordioso quanto minha Consciência....

Iron Maiden - Judgement of the Heaven
Julgamento dos Céus

Um choro solitário por ajuda, tentando encontrar qualquer ajuda
Uma reza silenciosa a Deus, para ajudá-lo em seu caminho
Eu estive deprimido por muito tempo
É difícil lembrar o tempo que eu era feliz
Eu senti vontade de me suicidar uma dúzia de vezes ou mais
Mas esse é o jeito fácil, esse é jeito egoísta
A parte mais difícil é continuar com a vida

Você está procurando no escuro
Agarrando-se a qualquer coisa, para achar um caminho
Você pega as cartas de Tarot e as joga ao vento

Suas dúvidas, seus credos,
seus pensamentos íntimos, toda a sua existência
E se há um Deus, então responda-me
E conte-me sobre o meu destino, conte-me sobre o meu lugar
Conte-me se eu irei algum dia descansar em paz

Se você pudesse viver sua vida de novo
Você mudaria algo ou deixaria tudo do jeito que está?
Se você tiver a chance de novo
Você mudaria alguma coisa?
Quando você olha para o seu passado
Você pode dizer que está orgulhoso do que fez?
E há vezes que você acredita
Que o que você achava que era certo era errado

E por toda a minha vida eu acreditei
Que o Julgamento dos Céus está esperando por mim

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ei Você...

Bastou-me meia-hora de conversa com minha irmã para compreender a existência de fatos além da minha escassa percepção.

Minha razão vê-se obrigada a concordar com as conexões ocultas do Capra. A vida, realmente, é uma teia. Tudo está ligado e inter-ligado.
Os problemas apresentados por ela são os mesmos meus. Fomos criados distantes, hoje, isso ainda continua, ela em Santa Catarina e eu mais abaixo.

Os "demônios" são os mesmos. "Gênios" do bem ou do mal... mas são os mesmos. Dessa forma, só posso conjecturar (ainda não passei isso pelo crivo afiado da minha razão) que a genética, o determinismo e as vivências parecidas nos deram os mesmos problemas e desafios a vencer.

Penso que depois dessa conversa, nunca mais seremos os mesmos. Não estamos mais "sozinhos"...


Pink Floyd - Hey You
Ei Você

Ei você,
Aí fora no frio
Ficando sozinho, ficando velho
Você pode me sentir?

Ei você,
De pé no corredor
Com pés sarnentos e sorriso fraco
Você pode me sentir?

Ei você,
Não os ajude a enterrar a luz
Não se entregue sem lutar

Ei você,
Aí fora na sua
Sentado nú ao telefone
Você me tocaria?

Ei você,
Com o ouvido contra o muro
Esperando alguém chamar
Você me tocaria?

Ei você,
Você me ajudaria a carregar a pedra?
Abra seu coração, estou indo para casa

Mas era apenas fantasia
O muro era muito alto, como você pode ver
Não importa o quanto ele tentasse, ele não poderia se libertar
E os vermes comeram seu cérebro

Ei você,
Aí fora na estrada
Fazendo o que te mandam
Você pode me ajudar?

Ei você,
Aí fora além do muro
Quebrando garrafas no corredor
Você pode me ajudar?

Ei você,
Não me diga que não há nenhuma esperança
Juntos nós resistimos, separados nós caimos


Maninha... eu estou aqui.

domingo, 9 de novembro de 2008

Eu sou meu...

Penso ter encontrado uma das minhas respostas. Um dos propósitos pelo qual estou passando por aqui.
Pergunta: quem sou eu?
Resposta: eu sou meu.

Talvez essa letra possa explicar melhor.

Pearl Jam - I Am Mine
Eu Sou Meu

Os egoístas estão
Todos na fila
Acreditando e esperando
Para nos comprar mais tempo
Eu, percebe, a cada suspiro
Apenas tenho minha mente

O norte é para o sul como
O relógio é para o tempo
Há leste e oeste
E vida por toda parte
Eu sei que nasci
E sei que vou morrer
O entre isso é meu
Eu sou meu

E o sentimento
Foi deixado para trás
Toda a inocência
Perdida de uma vez
Mensagens importantes
No olhar
Não é preciso se esconder
Estamos seguros esta noite

O oceano está cheio porque
Todos estão chorando
A lua cheia procura
Amigos na maré alta
A tristeza aumenta
Quando a tristeza é negada
Só conheço a minha mente
Eu sou meu

E o significado
Foi deixado para trás
Todos os inocentes
Perdidos de uma vez
Mensagens importantes
No olhar
Não é preciso se esconder
Estamos seguros esta noite

E o sentimento
Deixado para trás
Toda inocência
Quebrada com mentiras
Mensagens importantes
Entre as linhas
Podemos precisar nos esconder

E o significado
Deixado para trás
Todos os inocentes
Perdidos de uma vez
Somos todos diferentes
No olhar
Não é preciso se esconder

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A longa estrada

Às 19h de hoje, sete de novembro, quase fiz a Viagem da minha alma. Um carro, passou perto, muito perto... Não levou minha vida mas trouxe-me o susto e o temor de caminhar a Estrada na qual ainda não me sinto pronto para andar...

Ainda estou aqui, mas... até quando?
Não sei a resposta dessa pergunta, mas uma música me ajuda muito a não pensar nela por enquanto, pelo menos por enquanto...

Pearl Jam - Long Road
Longa Estrada

E eu desejei por tanto tempo... não posso ficar
Todos os momentos preciosos... não posso ficar.
Não é porque as asas caíram...não posso ficar.
Mas ainda há alguma coisa faltando...não posso ficar.

Segurando as mãos de filhas e filhos,
E a confiança deles está caindo.
Eu desejei por tanto tempo...
Como eu desejo por você hoje.

Andarei eu a longa estrada? Não posso ficar...
Não há necessidade de dizer adeus...

Todos os amigos e família
Todas as memórias voltam
Eu desejei por tanto tempo.
Como eu desejei por você hoje

E o vento continua soprando,
E o céu continua se tornando cinza.
E o sol se põe...
O sol irá nascer outro dia.

Eu desejei por tanto tempo...
Como eu desejo por você hoje.
Eu desejei por tanto tempo...
Como eu desejei por você hoje.

Andarei eu a longa estrada?
Nós todos andaremos a longa estrada...

Fonte: http://olhares.aeiou.pt/tentando_encontrar_a_linha_perdida_da_vida_/

Aqui está ela, Long Road.

Conseqüências

Fonte: http://www.kalomaya.com/work.htm

Assim é como me sinto hoje, após todas as feridas que deixei me causarem e que também causei.

Esta é a conseqüência da passagem por aqui.
Mas... ainda espero me recriar e reconstruir tudo o que quebraram, levaram e deixaram para trás.
Existe Culpa? É de alguém? Sim. Apenas minha por ter escolhido viver.

Ainda tenho Fé em me reconstruir mais novo e mais forte.

Aliás... FÉ é escrita com F e E e leva acento por que é a sigla de Força e Esperança, e o acento serve pra nos mostrar para onde olhar quando não tivermos nenhuma das duas...

Não há caminho de volta

"Efeito Borboleta: Pisa numa borboleta hoje, daqui a três anos, um milhão de pessoas some." (Heroes - III Temporada, II Ep.)

Fonte das imagens: http://www.digitalblasphemy.com/


David Gilmour - There's No Way Out of Here
Não há saída daqui

Não há saida daqui, quando você fica para sempre
Não houve promessa feita, o papel que você desempenhou, a oportunidade que pegou
Não há limites traçados, tempo e mesmo assim você desperdiça isso

Então isso escapa da sua mão como grãos de areia, você o assiste partir
Não há tempo a perder, você pagará o preço então faça a coisa certa
Não há saida daqui, quando você fica para sempre

E nunca houve uma resposta, uma resposta lá
Não sem escutar, sem enxergar

Não há respostas aqui, quando você olha para fora voce não vê o interior
Não houve promessa feita, o papel que você desempenhou, a oportunidade que pegou
Não há saida daqui, quando você fica para sempre


"E a busca por si mesmo continua.
Procuramos por respostas em todos os lugares. Na Natureza. Em Deus. Em pequenas tragédias que talvez nunca possam ser compreendidas.
Mas mesmo assim, somos atraídos a isso. Focados num só objetivo: descobrir o nosso propósito nesta Terra.
Não importam as ramificações... As amizades que podem ser feridas...
Ou os pactos com o diabo que tenhamos que fazer." (Heroes - III Temporada, III Ep.)

Cada escolha que fazemos gera uma conseqüência. Apenas o Tempo nos mostrará qual é. Tudo está interligado. Assim é a Lei de Causa e Efeito. Assim é o Efeito Borboleta.

Não há viagem no Tempo-Espaço que possa consertar nada. Somente o aqui e o agora, nesse ínfimo e eterno segundo que se passa.
Como seria a Vida se pudéssemos fazer isso? Ainda não tenho resposta para essa pergunta, quiçá probabilidades. Então, não me contento com isso pois eu busco a Verdade.

Mesmo que tenhamos cometido erros, sempre há uma possibilidade de mudar. Dessa forma o futuro muda como conseqüência. Sempre. Obviamente isso não depende unicamente das nosssa intenções mas, sim, principalmente das ações e atitudes.
Enquanto eu decidir agir e meu coração apontar para onde devo ir, continuarei humano. Continuarei vivo e tentando mudar a mim mesmo e ao meu futuro.

Já comecei a minha jornada. Não há caminho de volta.

Agora, eu só consigo ver o Norte. É para lá que devo seguir.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Aprendendo a Voar...


Fonte da imagem: http://www.kalomaya.com/work.htm

Learning to fly - Pink Floyd
Aprendendo A Voar

À distância, uma fita preta
Estendida até um ponto sem retorno
Um vôo de fantasia num campo varrido pelo vento
Em pé sozinho e os meus sentidos embaraçados
Uma atração fatal me segurando firme
Como eu posso escapar dessa força irresistível

Não consigo tirar os meus olhos do céu que roda
Com a língua presa e enrolada
Somente um desajustado preso à terra, Eu

Gelo se forma sobre as pontas de minhas asas
Avisos sem cuidado, eu pensei que tinha pensado sobre tudo
Nenhum navegador pra guiar o meu caminho pra casa
Descarregado, vazio e transformado em pedra
Uma alma sobre tensão que está aprendendo a voar
Preso a condições mas determinado a tentar

Não consigo tirar os meus olhos do céu que roda
Com a língua presa e enrolada
Somente um desajustado preso à terra, Eu

Acima do planeta com uma asa e uma prece
A minha auréola desmazelada,
Uma trilha de vapor no ar vazio
Pelas nuvens eu vejo minha sombra voar
pelo canto do meu olho marejado
Um sonho não ameaçado pela luz da manhã
Poderia levar esta alma através dos céus da noite

Não há sensação para se comparar com isso
Animação suspensa um estado de êxtase

Não consigo tirar minha mente do céu que roda
Com a língua presa e retorcida
Somente um desajustado preso à terra, Eu

Minhas impressões sobre esse tópico em específico não precisaria de maiores comentários pois, absorvi o que significa - para os olhos da minha alma - a mensagem da música.
Pode-se pensar que sou um "fanático" por Pink Floyd, tudo bem. Trata-se apenas de uma das visões que poderias ter a meu respeito. Ainda há centenas de milhares as quais ainda não descobri sobre mim mesmo. É tudo uma questão de tempo!
Talvez nessa existência ainda, talvez na próxima... Tudo é um jogo de probabilidades.

Desde o início da jornada escolhida para dentro de mim mesmo, muitas indagações surgiram. Há pouco mais de uma semana, após receber a dádiva da paternidade, passei a perguntar-me ainda mais coisas a meu respeito. Encontrei algumas respostas. Algumas, um tanto ilógicas. Outras, racionais demais. Outras tantas, embaralhadas em si mesmas, se perderam. Entretanto, uma, apenas uma foi tão marcante e digna dessas linhas.

Em abril deste ano surfei nas fortes ondas do mar português pela primeira vez na vida. Foram inesquecíveis quinze minutos de tentativas em manter-me em equilíbrio sobre a prancha. Posso dizer que mais aprendi a me manter equilibrado nos desequilíbrios do mar (e das situações da vida também) do que realmente erguer-me e pôr-me a surfar.
Persisti, mas o mar foi mais forte que eu.
Em determinada momento, no meio do mar, há alguns metros da areia, desequilibrei-me mais uma vez e cai. Não havia mais “chão”. Ondas consecutivas desabaram sobre mim. Uma delas trouxe a prancha ao encontro da minha cabeça, o que fez uma bela pancada... Saí da água com um sentimento misto de vitória e derrota difícil de explicar por palavras...

Enquanto estava na água, via as ondas quebrarem sobre mim e, cada vez mais, a empurrar o meu pequeno corpo em direção à areia. A força do mar era imensa à minha frente. O céu era infinito sobre mim. E a minha vontade de ir atrás do que eu queria era muito maior do que ambos somados.

Ao retornar à superfície completamente atordoado, e com o sentimento de derrota em meu coração, parei para pensar em tudo que houvera passado.
Em cima da prancha, encarando o problema, meu corpo era pequeno, minha vontade de surfar uma única onda era incomensurável. O sentimento de fracasso não vinha à minha mente. Apenas o desafio. Apenas o desafio.
Subi o rochedo da praia de Sagres e de lá fiquei admirando o cenário que havia me “vencido”.
Pude, então, perceber que o problema da força da onda era demais para mim quando eu a estava enfrentando. Lá do alto era apenas uma pequena onda. Uma onda tão frágil e bela mas demais para mim naquele momento dentro da água.

Entendi que ao tirar minha mente do problema (a onda) e abstrair a um nível mais alto (a altitude na rocha) conseguiria vê-la com outros olhos.

Naquele dia entendi porque muitas coisas em minha vida voltavam à areia: meus braços eram pequenos demais para remar contra as forças que enfrentava. Descobri o par de asas às minhas costas e como poderia ver tudo de outra forma: do alto.

E, assim, vou vendo a mim mesmo, minha mente e meu coração hoje: do alto, usando minhas asas. Sigo voando cada vez mais para dentro até encontrar minhas respostas.

Um dia, voltarei àquela praia para tentar mais uma vez...