
Células.
Um amontoado de células e uma alma, isto é o que somos. Nada mais.
O Tempo oxida o Homem. Faz-nos avançar física e biologicamente sobre a Terra. Traz-nos artefatos “bons” e “ruins”: experiências. A “ferrugem” nos consome lenta e degenerativamente rumo ao que não sabemos ainda. Porém, por um breve instante, por ínfimos nove meses – e a única etapa da Vida na qual isso acontece – o inverso acontece. Por ínfimos e miseráveis nove meses, não envelhecemos.

Procurei nos dicionários e livros alguma frase ou termo que definisse a Vida além do período do “espaço de tempo decorrido entre o nascimento e a morte”... “existência”... etc.
Nenhuma delas satisfez meu íntimo inquieto. Como pode ser tão difícil definir algo tão presente e, ao mesmo tempo, tão distante?
Vivemos? Existimos? Passamos? Contamos os dias? Sobrevivemos? Rastejamos?
Confesso: não sei.
Minha ignorância é abissal nesta dúvida. Embora tentemos definir “Vida” pensamos, infelizmente, na Morte – no fim e não no recomeço – algo ainda, pelo menos por enquanto, distante.
Vivemos além. Vivemos à frente. A mente, não acompanha o mesmo Tempo que nos é dado. Queremos mais. Queremos o futuro, o infinito... queremos a eternidade... Passamos a alimentar ilusões e devaneios do “como será” deixando passar o “como é”.
O período demarcado a nós, personagens, nessa peça que já começamos a atuar durante o desenrolar do tema é um relâmpago na eternidade. Nada mais que um sonho que termina ao acordarmos em algum outro lado desconhecido. O Tempo é curto. A Vida é rara, única.
Procurei, em vão, encontrar uma forma de dizer ao meu filho, um dia, o que é a Vida. Falhei. Procurei em várias épocas dentro de mim mesmo, mas... nada encontrei. Assim, posso apenas deduzir que nunca vivi. Não sei... Ainda busco respostas. Sou inquieto e impaciente com isso... mas... Paciência! Há hora para tudo, inclusive a de saber fazer as perguntas certas para encontrar as respostas certas.
Como sempre... e mais uma vez, o “espírito pinkfloydiano” aponta um caminho, uma direção... uma luz para eu enxergar o que meus pífios olhos não percebem... Não há o que explicar, há de se viver. Tudo se resume a isso.
Embryo – Pink Floyd
Embrião
Tudo é amor, é tudo que eu sou
Uma bola é tudo que eu sou.
Então eu sou novo comparado a você
Eu sou muito pequeno.
Viva e quente, a lua desabrocha
Sempre preciso de mais uma salinha
Esperando aqui, pareço com os anos
Nunca vejo a luz do dia
Por todo lado escuto estrondos
Vem um murmurão em meu ouvido
Vermelha a luz e escura a noite
Eu sinto meu começo perto
Viva e quente, a lua desabrocha
Cochicho baixo, aqui vou eu
Eu vou ver a luz do sol

José Pedro!
Sê bem-vindo, meu filho.

