sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A inexorável dádiva da Vida...


Células.

Um amontoado de células e uma alma, isto é o q
ue somos. Nada mais.

O Tempo oxida o Homem. Faz-nos avançar física e biologicamente sobre a Terra. Traz-nos artefatos “bons” e “ruins”: experiências. A “ferrugem” nos consome lenta e degenerativamente rumo ao que não sabemos ainda. Porém, por um breve instante, por ínfimos nove meses – e a única etapa da Vida na qual isso acontece – o inverso acontece. Por ínfimos e miseráveis nove meses, não envelhecemos.


Procurei nos dicionários e livros alguma frase ou termo que definisse a Vida além do período do “espaço de tempo decorrido entre o nascimento e a morte”... “existência”... etc.
Nenhuma delas satisfez meu íntimo inquieto.
Como pode ser tão difícil definir algo tão presente e, ao mesmo tempo, tão distante?

Vivemos? Existimos? Passamos? Contamos os dias? Sobrevivemos? Rastejamos?

Confesso: não sei.
Minha ignorância é abissal nesta dúvida. Embora tentemos definir “Vida” pensamos, infelizmente, na Morte – no fim e não no recomeço – algo ainda, pelo menos por enquanto, distante.
Vivemos além. Vivemos à frente. A mente, não acompanha o mesmo Tempo que nos é dado. Queremos mais. Queremos o futuro, o infinito... queremos a eternidade... Passamos a alimentar ilusões e devaneios do “como será” deixando passar o “como é”.


O período demarcado a nós, personagens, nessa peça que já começamos a atuar durante o desenrolar do tema é um relâmpago na eternidade. Nada mais que um sonho que termina ao acordarmos em algum outro lado desconhecido. O Tempo é curto. A Vida é rara, única.

Procurei, em vão, encontrar uma forma de dizer ao meu filho, um dia, o que é a Vida. Falhei. Procurei em várias épocas dentro de mim mesmo, mas... nada encontrei. Assim, posso apenas deduzir que nunca vivi. Não sei... Ainda busco respostas. Sou inquieto e impaciente com isso... mas... Paciência! Há hora para tudo, inclusive a de saber fazer as perguntas certas para encontrar as respostas certas.


Como sempre... e mais uma vez, o “espírito pinkfloydiano” aponta um caminho, uma direção... uma luz para eu enxergar o que meus pífios olhos não percebem... Não há o que explicar, há de se viver. Tudo se resume a isso.

Embryo – Pink Floyd

Embrião


Tudo é amor, é tudo que eu sou

Uma bola é tudo que eu sou.

Então eu sou novo comparado a você

Eu sou muito pequeno.


Viva e quente, a lua desabrocha

Sempre preciso de mais uma salinha

Esperando aqui, pareço com os anos

Nunca vejo a luz do dia

Por todo lado escuto estrondos

Vem um murmurão em meu ouvido

Vermelha a luz e escura a noite

Eu sinto meu começo perto


Viva e quente, a lua desabrocha

Cochicho baixo, aqui vou eu

Eu vou ver a luz do sol



José Pedro!
Sê bem-vindo, meu filho.

2 comentários:

  1. Ótimo texto Emir. E postou no dia do meu aniversário. Pena que só fui ver agora. Agora assinei teu Feed. Ve se escreve mais cara. Seus textos são ótimos e fazem bem a todos que leem. Parabéns mais uma vez pelo teu filho cara. Que tu sejas muito feliz com ele e não tente dizer para ele o que é a vida. Tente mostrar para ele, mostre o dia, o sol, a noite, a lua, a brincadeira, a risada, a felicidade, o choro, o amigo, a namorada, o filho.... Isso é a vida... o que acontece ao redor é o que usamos para brincar um pouco com ela. Abração cara.

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  2. Grande Emir!
    Parabéns pelo filhote =]
    Conheci seu blog hj,com certeza voltarei!
    Um abraço.

    ps: long live Pink Floyd!

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