terça-feira, 4 de novembro de 2008

Aprendendo a Voar...


Fonte da imagem: http://www.kalomaya.com/work.htm

Learning to fly - Pink Floyd
Aprendendo A Voar

À distância, uma fita preta
Estendida até um ponto sem retorno
Um vôo de fantasia num campo varrido pelo vento
Em pé sozinho e os meus sentidos embaraçados
Uma atração fatal me segurando firme
Como eu posso escapar dessa força irresistível

Não consigo tirar os meus olhos do céu que roda
Com a língua presa e enrolada
Somente um desajustado preso à terra, Eu

Gelo se forma sobre as pontas de minhas asas
Avisos sem cuidado, eu pensei que tinha pensado sobre tudo
Nenhum navegador pra guiar o meu caminho pra casa
Descarregado, vazio e transformado em pedra
Uma alma sobre tensão que está aprendendo a voar
Preso a condições mas determinado a tentar

Não consigo tirar os meus olhos do céu que roda
Com a língua presa e enrolada
Somente um desajustado preso à terra, Eu

Acima do planeta com uma asa e uma prece
A minha auréola desmazelada,
Uma trilha de vapor no ar vazio
Pelas nuvens eu vejo minha sombra voar
pelo canto do meu olho marejado
Um sonho não ameaçado pela luz da manhã
Poderia levar esta alma através dos céus da noite

Não há sensação para se comparar com isso
Animação suspensa um estado de êxtase

Não consigo tirar minha mente do céu que roda
Com a língua presa e retorcida
Somente um desajustado preso à terra, Eu

Minhas impressões sobre esse tópico em específico não precisaria de maiores comentários pois, absorvi o que significa - para os olhos da minha alma - a mensagem da música.
Pode-se pensar que sou um "fanático" por Pink Floyd, tudo bem. Trata-se apenas de uma das visões que poderias ter a meu respeito. Ainda há centenas de milhares as quais ainda não descobri sobre mim mesmo. É tudo uma questão de tempo!
Talvez nessa existência ainda, talvez na próxima... Tudo é um jogo de probabilidades.

Desde o início da jornada escolhida para dentro de mim mesmo, muitas indagações surgiram. Há pouco mais de uma semana, após receber a dádiva da paternidade, passei a perguntar-me ainda mais coisas a meu respeito. Encontrei algumas respostas. Algumas, um tanto ilógicas. Outras, racionais demais. Outras tantas, embaralhadas em si mesmas, se perderam. Entretanto, uma, apenas uma foi tão marcante e digna dessas linhas.

Em abril deste ano surfei nas fortes ondas do mar português pela primeira vez na vida. Foram inesquecíveis quinze minutos de tentativas em manter-me em equilíbrio sobre a prancha. Posso dizer que mais aprendi a me manter equilibrado nos desequilíbrios do mar (e das situações da vida também) do que realmente erguer-me e pôr-me a surfar.
Persisti, mas o mar foi mais forte que eu.
Em determinada momento, no meio do mar, há alguns metros da areia, desequilibrei-me mais uma vez e cai. Não havia mais “chão”. Ondas consecutivas desabaram sobre mim. Uma delas trouxe a prancha ao encontro da minha cabeça, o que fez uma bela pancada... Saí da água com um sentimento misto de vitória e derrota difícil de explicar por palavras...

Enquanto estava na água, via as ondas quebrarem sobre mim e, cada vez mais, a empurrar o meu pequeno corpo em direção à areia. A força do mar era imensa à minha frente. O céu era infinito sobre mim. E a minha vontade de ir atrás do que eu queria era muito maior do que ambos somados.

Ao retornar à superfície completamente atordoado, e com o sentimento de derrota em meu coração, parei para pensar em tudo que houvera passado.
Em cima da prancha, encarando o problema, meu corpo era pequeno, minha vontade de surfar uma única onda era incomensurável. O sentimento de fracasso não vinha à minha mente. Apenas o desafio. Apenas o desafio.
Subi o rochedo da praia de Sagres e de lá fiquei admirando o cenário que havia me “vencido”.
Pude, então, perceber que o problema da força da onda era demais para mim quando eu a estava enfrentando. Lá do alto era apenas uma pequena onda. Uma onda tão frágil e bela mas demais para mim naquele momento dentro da água.

Entendi que ao tirar minha mente do problema (a onda) e abstrair a um nível mais alto (a altitude na rocha) conseguiria vê-la com outros olhos.

Naquele dia entendi porque muitas coisas em minha vida voltavam à areia: meus braços eram pequenos demais para remar contra as forças que enfrentava. Descobri o par de asas às minhas costas e como poderia ver tudo de outra forma: do alto.

E, assim, vou vendo a mim mesmo, minha mente e meu coração hoje: do alto, usando minhas asas. Sigo voando cada vez mais para dentro até encontrar minhas respostas.

Um dia, voltarei àquela praia para tentar mais uma vez...

2 comentários:

  1. Show de bola Emir. Ótimo os teus textos. Abraço!

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  2. Jr., tens que publicar um livro com esses teus textos, são lindos! Tocam a alma de quem lê, e faz com que as pessoas também passem a olhar seu interior...

    Beijo grande!

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